Overdose
Terça-feira, 8 Janeiro, 2008 at 0:32 | In Diogo Guedes | 3 CommentsTags: Côrtes, Diogo, Guedes, Lula
O elevador dá um solavanco e chega ao segundo andar. No canto do corredor, em frente a uma porta de madeira, aparece Luiz Augusto, mais informal impossível. Um senhor com seus cabelos e sua barba completamente tomados pela brancura, trajando camisa regata e sunga preta – informalidade a rigor. Sua pele é vermelha, como se por seu corpo coberto de pêlos circulasse sangue demais. Mal nos recebe e já nos puxa instantaneamente para dentro de sua casa, como se quem nos visitasse entusiasmado fosse ele.
A pequena sala, conseqüência inevitável do corredor, é basicamente um atelier. Não há nenhum tempo de se impressionar com os, hum, seis quadros recém-pintados espalhados, porque Luiz Augusto já está na varanda, sem parar de falar sequer por um instante. E, acreditem, é difícil o ouvir falando do calor anormal que fez pela manhã e que fez murchar temporariamente as flores amarelas de um de seus vasos, porque ele mudará de assunto instantaneamente, sem piedade. A animação demonstrada é comparável a de quem escreve num diário sobre um dia importantíssimo: uma verborragia contagiante. A paisagem lá fora é de uma calma espantosa, mas ele compensa com seu excesso de movimento. Eu me sento enquanto o tal Luiz Augusto se transforma em Lula Côrtes e se mantém em pé, trafegando pela varanda.
Quem puder conversar com Lula sabe o que é tudo isso. Ele chega perto demais para falar, olha nos olhos, pega no braço e se afasta. Evita se sentar por muito tempo, como se fosse ser mal interpretado caso não pudesse fazer movimentos bruscos ou caminhar livremente. Fala e fala e quem o ouve nem nota que se trata, na prática, de um monólogo: ele narra freneticamente suas milhões de histórias impressionantes. Vez ou outra precisa nos mostrar alguma coisa e some dentro de seu apartamento. Volta por uma quase passagem secreta com um quadro em mãos, ou nos oferecendo água de coco, ou simplesmente sem nada, meramente com um novo assunto.
Uns cinco minutos e você já não tem coragem para interrompê-lo em suas narrativas. Ah, se o assunto fosse o calor anormal, a paixão dos torcedores por seus times ou como ele irá passar a virada de ano, ainda se poderia – mesmo que não seja recomendado – ter a ousadia de empurrar uma pergunta formalizada na conversa mais fluente possível. Só que ele emenda seus assuntos mais comuns com suas anedotas mais fantásticas, e só de presenciar a gargalhada de Côrtes você já se sente mais íntimo dele. Daí se tira: o que se deve curtir em Lula é a leveza com que ele passeia por vivências fantásticas, episódios dramáticos, fatos cotidianos e opiniões pessoais. Felizmente para nós, que o ouvimos, sua boca é incansável, assim como se tornam nossos ouvidos.
Ele fala muito, mas se fala muito pouco nele. E quando se fala, o fazem incompletamente. José Teles, em sua magistral pesquisa sobre a história da música em Pernambuco, “Do frevo ao manguebeat”, refere-se várias vezes a Lula como um “guru” ou “líder” da cena udigrudi recifense, com uma influência tão significativa que o tornaria figura notável também durante o movimento manguebeat. Apesar disso, se comparado a Alceu Valença, Zé Ramalho ou Marco Pólo, outros grandes nomes da mesma cena, Côrtes terá pouco espaço na história da música pernambucana – mesmo sendo um personagem tão ou mais interessante quanto os três. E, ainda no livro de Teles, Lula tem suas histórias tratadas com ceticismo ou é tachado de “muitas vezes inconseqüente” – tom e adjetivação que são raros em trechos sobre outros personagens. É como que uma certa lacuna no reconhecimento, um tipo silencioso de ingratidão, comum às citações a Lula Côrtes. Mas ele não parece dar nenhuma importância a tudo isso.
“Só tem um jeito de eu morrer sem dizerem que foi overdose: é se eu tiver dentro de uma igreja” – e gargalha. Esse é o humor típico de Lula, personagem sempre associado ao consumo de drogas e à porra-louquisse rockeira. Já foi inclusive dado como morto por um jornal local. Mas isso é algo pequeno se comparado ao boato que circulou em uma das vezes que foi pro hospital por conta de seu câncer na garganta. Divulgaram em uma comunidade sobre Côrtes no site de relacionamentos Orkut que ele, depois de cheirar uma grande quantidade de cocaína, tinha sentido uma forte dor em um dos dentes. Então, fora de si, Lula teria pego um alicate e oarrancado, tendo, assim, contaminado-se com tétano. Boato, é claro.
Agora ele não tem quase nada mais dessa velha imagem. Lula, ainda que persista sendo um porra-louca veterano e orgulhoso, não bebe mais para não reviver o velho alcoolismo. Se antes ele tomava suas cinco pitús e mais uma cerveja e ficava pronto para dar 2h30 de show – uma constante dor de cabeça para os produtores sedentos por cumprir horários -, agora ele prefere “incomodar sóbrio” e até brinca que, mesmo careta, quando fizer uma apresentação “todo mundo vai achar que eu tô doidão”.
Dos vícios, Lula só mantém um, o de fumar. Nas duas horas de conversa puxa por três vezes um cigarro. São os momentos de maior silêncio, ainda que ele continue falando. Tosse, leva a mão à boca, contempla qualquer coisa. Depois, como se se esquecesse de que fumava calmamente, nos embrulha numa narrativa e deixa o cigarro de lado, consumindo-se. Conta, por exemplo, uma vez em que bebeu, numa confusão de copos sobre a mesa, a terebentina que usava em uma de suas pinturas a óleo. Passou uma semana arrotando – “mas isso foi besteira”. Nada foi pior que a diarréia resultante da troca de uma garrafa de água mineral por uma de revelador fotográfico: aí sim, a ingestão foi mais problemática. E o cigarro lá, no canto de sua mão, ciumento. Alguns minutos depois ele pára e resgata-o, usufruindo do fim.
“Venham pra cá tirar uma foto com Lula”, disse uma pequena fotógrafa com uma câmera quase do seu tamanho. Só assim eu acordei pra fora do sonho dos quadros de “O sexo da plantas”. No vernissage, antes mesmo de conhecer de fato Lula Côrtes, ele já me puxava para uma foto e apertava minha mão, animado. Um minuto depois corria embora porque havia chegado mais alguém: a fotógrafa, afinal, precisa de fotos.
Os zuns-zuns e as risadas dos convidados pareciam um extremamente alto e desafinado coro. A pequena galeria Arteplural era disputada palmo a palmo e nem seu ar condicionado era suficiente para tamanho calor. A melhor opção então, depois de se apreciar os quadros lá dentro, era sair para a pitoresca Rua da Moeda, uma das únicas ventilações naturais restantes do Recife cercado por prédios. Lá o ruído também era alto, ainda que diluído pela amplidão do espaço. Uma pequena multidão bebe e conversa animadamente: o clima, enfim, é o de um típico vernissage.
Nas obras, há mais sexo do que no sexo. É um tipo de afirmação que só se tem a partir de uma visão seqüenciada dos quadros de Lula. Vaginas e pênis nem sempre são o mais sensual nas milimetricamente desenhadas plantas. A técnica é a de lápis dermatográfico com o uso de aquarela para compor uma “moldura pintada”. O detalhismo das obras impressiona.
Nemo, seu filho e quem possibilitou a conversa com Lula, conta que o pai estava sobre efeito de morfina quando fez os quadros. A calma provocada pelo remédio fazia ele se deter no pequeno, no meticuloso, mas Lula queria mais: “Eu só tô desenhando, eu quero pintar!”. Também as bordas que ele mesmo criava lhe incomodavam, porque tudo estava “muito certinho, muito preso”. A libertação só veio quando Lula decidiu quebrar – com uma combinação singular de força e delicadeza – as molduras e a linearidade que os quadros tinham. Nem recortes se encaixariam tão bem quanto as rupturas pintadas de Côrtes: mais críveis do que o verdadeiro.
E lá, fora de todas as molduras, está Lula. Conversando animado, até porque deve ser esse o único jeito que ele sabe conversar. Cercado de amigos: encontram-se por lá, desprovidos de qualquer cerimônia, Laílson, companheiro de Côrtes em Satwa, o primeiro disco independente brasileiro, Roger, do programa “Som da Sopa”, Almir Oliveira, integrante da extinta e lendária banda Ave Sangria, Jomard Muniz de Brito, ícone tropicalista. Os quadros nas paredes e as bebidas servidas são quase pretextos para Lula encontrar seus diversos amigos.
É a Espanha, mas as imagens não são as das históricas e grandes cidades de Madri ou Barcelona. Vê-se um tipo de semi-árido, um meio-do-nada semelhante ao sertão nordestino. Em 1972, Lula Côrtes, com sua então esposa Kátia Mesel, foi em busca do artista Salvador Dali para aprender a pintar.
O motivo era, no mínimo, inusitado. Ao chegar a uma espécie de ninho de dinossauros, cercado de ovos gigantes, e ser atendido por dois samurais, teve a notícia de que Dali estava viajando e só voltaria depois. Insistiu em ficar na propriedade, passeando pelo porto ali em frente e encontrando coisas como um camelo com o nome da marca “Camel” em seu corpo. E só por acaso, encontrou a mulher de Dali, Gala Elouard, que o convidou a conhecer sua casa e seu marido, mestre surrealista e falso viajante.
Para conhecer Dali, no entanto, passou ainda por muito intermediários. Primeiro, uma enfermeira o atendeu e o deixou esperando. Depois, a mesma mulher o chamou para uma outra sala cheia de esculturas e pinturas absurdas e o deixou novamente aguardando. Essa estranha espera dava a Lula a impressão de que estava sendo observado e testado pelo pintor. Foi quando Dali apareceu e prontamente perguntou: “O que você quer, um autógrafo?”. A resposta esperançosa foi: “Não, eu quero aprender a pintar com você”. O artista fez uma pausa e mandou Lula ir buscar suas coisas no hotel.
“Limpando pincéis!”, qualquer um pensa, “ele deveria estar sendo enrolado ou explorado”. Mas Lula Côrtes é sim muito grato ao tempo que passou lá. Aprendeu três ou quatros pequenas coisas que bastaram para “revolucionar meu jeito de pintar”. Algumas semanas de aprendizado e depois seguiu sua viagem.
Lula até pouco tempo teve contato com a família de Dali. Tinha inclusive alguns livros raros do artista, mas os perdeu em suas freqüentes mudanças de casa. Também lembra que seu ilustre professor tinha um tipo de manicômio particular, onde abrigava vários pacientes que, de acordo com Lula, eram realmente doidos. Usando seus hóspedes, Dali se definiu: “A única diferença entre a minha loucura e a deles é que eles são loucos”. O típico aluno desse louco e não-louco professor que era Dali só poderia ser o louco e não-louco Lula Côrtes.
Se Lula Côrtes se resumisse em uma ação seria a de puxar. Não só porque é inquieto e demanda gentilmente que o sigam – um bom líder. Mas porque nos puxa para cá, para lá, segura em nosso braço e nos traz para mais perto, se afasta e puxa um cigarro. Conversa como se imperceptivelmente puxasse o fio de uma tal meada que parece lhe faltar. Só parece. Lula não se mantém numa linha de raciocínio porque prefere sair dela. Não prega suas pequenas ou grandes crenças porque é, por natureza, antijesuítico – não sai procurando desesperadamente fieis que girem ao seu redor. Lula prefere nos puxar, finalmente, para uma longa e tranqüila conversa despretensiosa, deixando escapar, a conta-gotas, suas espetaculares histórias.
E não só de grandes acontecimentos vive o papo de Lula. O mesmo humor que ele tem para falar das loucuras de Dali e de sua carreira tem para qualquer outro assunto. A história de sua prima, Maria Paula, que ganhou um peru para esse natal de presente de um presidente da Sadia é um exemplo. A “anormalidade”, como Lula apelidou o peru, tinha 15 quilos.
Para guardá-lo no freezer foi preciso tirar duas prateleiras. E a partir daí, o assunto é uma piada nas mãos de Lula. “Só pode ser uma, como é o nome mesmo, uma daquelas ‘galinha-dinossauro’ ou uma ema”. E todos que o cercam gargalham. E ele mal consegue respirar de tanto rir antes e depois de dizer que o peru tem tanto hormônio nele que, enquanto as mulheres o comerem na festa, vai começar a nascer bigode em cada uma delas. Por fim, depois de servir o peru na ceia de natal, ainda se poderá comê-lo na virada de ano, no carnaval e fazer um salpicão de seus restos na páscoa.
Lula, depois de um certo tempo parado por conta de seu tratamento, vem voltando às suas atividades. Fez sua exposição e continua pintando na sala de sua casa para vender – mesmo o que não gosta. Sua filosofia artística é simples: “cada quadro tem seu dono”. Mesmo que ele deteste alguma obra, chega alguém que fica indiferente a todo o resto que ele considera bom e cisma com o quadro rejeitado. Ao ser feita, a obra se destina.
De fato, Lula nunca ficou muito inativo. Mesmo no tratamento continuou desenhando e, mesmo que não aparecesse na mídia, continuava a fazer seus shows e sua música. Desde 1973, ano em que lançou com Laílson o primeiro disco independente do Brasil, Satwa, foi aos estúdios diversas vezes, fazendo algumas obras clássicas como Paêbiru com Zé Ramalho – o vinil mais caro do país e tido como uma obra-prima da psicodelia tupiniquim – e Rosa de Sangue. Côrtes tem, também, dois livros de poesia lançados.
Nos dias 26 e 27 de dezembro Lula fez dois shows com a Má Companhia. O primeiro no bar Quintal do Lima e o último pela programação de fim de ano da prefeitura no Recife Antigo. Além disso, foi chamado para elaborar a decoração de carnaval de Camaragibe. Lula Côrtes volta ao seu frenético ritmo cotidiano, com milhões de projetos para o futuro próximo.
Lula também quer fazer em breve seu novo CD, “Tarja preta”. Empolgado, atropela as sílabas para compartilhar a idéia de como quer fazer a capa. “Vai ser uma caixa de Lexotan com ‘Lula Córtex e Má Companhia’ escrito na tarja preta”. Quer que todos esperem um cd mórbido, influenciado pelo doloroso tratamento contra o câncer, quando na verdade será um disco “pra cima”. A mesma empolgação ele tem para cantarolar as duas músicas já feitas do CD: a que dá título à obra e “O maior divertimento dos pobres é o amor” – ambas são o típico rock’n’roll.
Sobre seu novo disco, uma jornalista de São Paulo veio entrevistá-lo. Ela perguntou, animada: “Como é que vai ser o CD, vai ter muitas novidades?”. Lula ficou pensando um pouco. A resposta foi que não haveria novidade nenhuma: “É rock’n’roll, pô. É a mesma coisa”. O líder da banda Má Companhia, Xandinho, que estava com Lula, discordou: “Não, não é a mesma coisa não. Vou explicar como é: é a mesma coisa só que é diferente”. E, contando isso, Lula gargalha, mas, afinal, concorda plenamente: é isso mesmo, igual mas diferente. Coisa louca e não louca. Algo como o bom e velho rock’n’roll.
“É, fica difícil / porque isso pra mim não é só um ofício / eu podia ser político e fazer comício / mas prefiro dá uma bola e vir cantar…” Com sua bata branca, uma calça apertada – como sempre – e a óbvia felicidade de estar de volta, era Lula aquele a gritar e gastar sua voz pelo segundo dia seguido, agora no Recife Antigo. No dia anterior, “apenas” 2h40 de show no bar Quintal do Lima.
Só depois de Alex Mono é que ele entrou no palco, deixando no chão, perto do microfone, uma garrafa de cerveja – sinal de que não havia exatamente parado de beber. Cumprimentou a todos com gestos e palavras desengonçadas e, mesmo com o altíssimo som, o público finalmente se aproximou do palco para dedicar mais atenção ao que se passava por ali. Pois é: Lula Côrtes e a Má Companhia, com seu “rock’n’roll na veia e nada mais”.
“Eu não posso. Se eu mandasse aqui já tava todo mundo em cima do palco…” disse Lula para alguém que, num dos intervalos entre as músicas, pedia para dar um mosh. Num show sem espaço para muita conversa ou perda de tempo, Côrtes tocou algumas músicas suas mais conhecidas, como “O clone”, “Dos inimigos” e “Desengano”, além de uma versão rock de “Nasci para Chorar” de Erasmo Carlos.
O público que o prestigia pode ser um bom retrato do perfil de qualquer artista: e com Lula Côrtes esse pensamento funciona ainda melhor. Na Vigário Tenório podia-se ver, de um lado, um homem de olhos vermelhos vendendo baseados sem qualquer cerimônia e, do outro, o pré-candidato à prefeitura do Recife, Cadoca, acompanhando a atração. Nem dez metros separavam um do outro: um tipo despretensioso de subverter a distância entre os dois mundos diversos. Não menos, com certeza, que a síntese do público totalmente singular que via o show.
No shopping Paço da Alfândega, passa Lula Côrtes junto com um grupo de amigos. Há poucos minutos algumas pessoas o esperavam, junto com Laílson, para uma conversa sobre o disco Satwa, que talvez os dois até tocassem naquela tarde. Nada disso aconteceu porque Laílson queria se encontrar para ensaiar antes, enquanto Lula – que constantemente afirma que detesta praticar antes de shows – não via como se pode treinar para tocar um disco feito de improviso.
Com um caderno de desenho em mãos, Lula anda em direção a Livraria Cultura. Leva, junto com seus cabelos brancos, uma calça apertadíssima que muitos jovens hoje em dia não ousariam usar. Alguém começa a lhe contar algo, ele olha pro lado e ouve quase parando de andar. Dedica muita atenção, como se fosse um tipo de esforço ou prazer. Parece ser algo importante, ou interessante. De repente, quase que como do nada, ele reage: gargalha. A imagem que se tem é a de que tudo aconteceu como se Lula contasse uma de suas histórias para si mesmo. E então ele segue para a livraria.
3 Comentários »
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Entries and comments feeds.
É rock’n'roll, pô!
Sem mais. O nome do autor já diz tudo.
Abraços,
Diogo.
Comentário por Dio — Quinta-feira, 10 Janeiro, 2008 #
Muito bom texto, Diogo.
Parabéns!
Rock’n roll na veia!
Comentário por Nemo — Quinta-feira, 10 Janeiro, 2008 #
Muito bom Diogo!
Comentário por Diego Firmino — Quinta-feira, 10 Janeiro, 2008 #